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Entenda a crise dos fertilizantes e a falta de potássio

Dentre as ameaças à agricultura brasileira, a falta de potássio é a mais real, no contexto da crise de fertilizantes que afeta a produção global de alimentos

Mário Bittencourt Mário Bittencourt
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Trator fazendo aplicação de fertilizantes

A crise dos fertilizantes tem trazido preocupações para o agronegócio brasileiro, por conta da escalada dos preços, mas o que pode afetar de forma grave o setor é a falta de potássio.

O Brasil depende dos fertilizantes nitrogênio, fósforo e potássio para obter boa produtividade em suas principais culturas (soja, café, milho, algodão, cana-de-açúcar).

Com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que já dura mais de um mês, há sério risco de não haver fornecimento desses fertilizantes para o país, sobretudo do potássio.

Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), ao contrário do nitrogênio e do fósforo, que podem ser obtidos de outras fontes internacionais, o Brasil não tem como obter potássio de outra fonte para atender à demanda nacional.

Saiba mais neste artigo. Boa leitura!

Qual a importância do potássio para a agricultura?

Em 2021, o Brasil importou, de forma recorde, 12,8 milhões de toneladas de cloreto potássio, crescimento de 13% em relação a 2020, que foi de 11,2%, conforme dados da consultoria StoneX.

Dessa quantidade importada, 9,3 milhões foram oriundos da Rússia e da Bielorrússia, maiores produtores mundiais de cloreto de potássio (segundo e terceiro, respectivamente – o primeiro é o Canadá, responsável por 35% do mercado mundial).

O potássio é essencial para a boa produtividade de diversas culturas, a exemplo da soja e do café, produtos que o Brasil é líder mundial em produção e exportação, além do algodão e frutas.

Estudos da Embrapa apontam que a soja precisa de entre 25 kg a 48 kg de potássio para que seja produzida uma tonelada do grão.

Já o café, precisa de 250 kg a 450 kg de potássio para cada tonelada.

Na fruticultura, de forma geral, a quantidade de potássio varia de forma semelhante à do café, e o algodão requer de 15 kg a 20 kg para cada tonelada a ser produzida.

O feijão, por sua vez, precisa de 30 kg a 90 kg de potássio/tonelada, o milho de 30 kg a 60 kg.

É importante lembrar que a quantidade de potássio a ser colocada, assim como de outros fertilizantes, depende da quantidade de nutrientes disponíveis no solo.

Para saber isto, há diversas metodologias, com uso de tecnologias ou não. Veja mais detalhes abaixo!

Como saber os nutrientes do solo?

Ao longo dos anos, o Brasil, que deixou de ser importador de alimentos há 50 anos, tem usado muitos fertilizantes em suas lavouras.

Em 2021, por exemplo, o país importou 41,6 milhões de toneladas de fertilizantes – o equivalente a 85% da quantidade total que utiliza.

Toda planta exporta determinada quantidade de nutriente do solo e não consome toda quantidade de nutriente que foi aplicada. Então, como saber o que restou de fertilizante?

O método mais tradicional é o de análise de solo em campo, que deve ser feito da seguinte forma:

  • a cada 5 ou 10 hectares, colete 20 amostras de solo em zig-zag;
  • cada amostra deve ser 500 g de terra, retiradas a uma profundidade de 20 cm;
  • misture bem todas as amostras, até a terra ficar homogênea e coloque 500 g em um saco plástico, com a identificação da propriedade e do talhão;
  • leve para um laboratório de análise de solo credenciado no IAC (Instituto Agronômico de Campinas) – no país, são 120 laboratórios, os quais recebem amostras referências para esses laboratórios criarem um nível de correção.

Mas é importante que se fique atento ao selo do laboratório (padrão, A, B, C).

Existem laboratórios que possuem desvio de análise de até 20%. Assim, ele pode indicar que o solo está com determinado nível de nutriente, mas esse nível pode ser até 20% a mais ou a menos.

Esse cuidado pode evitar que você tome uma decisão equivocada sobre a necessidade de adubação do solo.

A depender do tipo de lavoura, pode ser necessário fazer uma coleta de solo a 40 cm de profundidade. Isso ocorre, por exemplo, com lavouras de café.

Uso de tecnologias na análise de solo

Outros métodos de análise envolvem equipamentos tecnológicos que averiguam a condutibilidade elétrica do solo e, a partir disso, indicam a quantidade de nutrientes disponíveis.

Drones com sensores de alta precisão também podem indicar a quantidade de nutrientes no solo, assim como imagens de satélite.

Por esses métodos, é possível fazer o mapa de variabilidade espacial sobre a necessidade de correção ou nutrição do solo e realizar a aplicação em taxa variável.

Importante destacar aqui que a aplicação da técnica exige o uso de equipamentos com tecnologia embarcada, a exemplo de GNSS, piloto automático e bons distribuidores.

Na Agrobill, por exemplo, você encontra o Distribuidor Piccin Master DH S Precision 10000, que tem bloco de controle com válvulas prioritárias e regulagem simplificada.

Veja aqui outras opções de distribuidores na Agrobill.

Em tempos de escalada de preços dos fertilizantes, a utilização de técnicas que favorecem a economia na aplicação dos insumos, a exemplo da taxa variada, devem ser cada vez mais utilizadas.

Mas porque os preços dos fertilizantes subiram tanto? Confira a seguir.

Aumento dos preços dos fertilizantes

O preço dos fertilizantes teve alta de até 200% nos últimos dois anos e foi agravado pela guerra entre Ucrânia e Rússia.

E por conta de o país russo e a Bielorrússia estarem entre os maiores produtores de cloreto de potássio do mundo, o preço deste insumo é o que mais tem subido.

De US$ 300 no início de 2021, a cotação da tonelada do cloreto de potássio passou para US$ 1,1 mil no início de abril.

As razões para a alta, apontadas por analistas, são o aumento no custo de produção e a alta demanda internacional, somadas a uma série de problemas estruturais, econômicos e geopolíticos, intensificados com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Outros fertilizantes, como o fósforo e o nitrogênio também tiveram altas expressivas.

O fósforo custava US$ 600 a tonelada em fevereiro do ano passado e agora está em US$ 1.200.

A tonelada do nitrogênio, no mesmo período, saiu de US$ 680 para US$ 950, conforme dados da consultoria StoneX.

Os preços dos fertilizantes, de modo geral, vão continuar a subir, sobretudo com o avançar da guerra na Ucrânia, o que impacta o custo da produção agrícola brasileira e mundial, e, por consequência, o preço dos alimentos.

Por enquanto, no Brasil, o abastecimento de fertilizantes segue pouco afetado, conforme boletim logístico de março da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

O boletim informa que entre janeiro e fevereiro foram importadas 5,3 milhões de toneladas de fertilizantes, volume pouco abaixo das 5,7 toneladas do mesmo período de 2021 – não há detalhes sobre as quantidades de NPK.

“Um possível fator de influência para uma importação nessa ordem pode ter sido o cenário de incertezas em relação ao abastecimento de fertilizantes do principal fornecedor: a Rússia”, diz o relatório.

Conclusão

O aumento dos preços dos fertilizantes e a falta de potássio trazem grandes riscos para a agricultura brasileira, o que gera incertezas até sobre as metas que o país busca alcançar em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), bastante influenciado pelo agronegócio.

Alguns impactos decorrentes dessas situações com os fertilizantes e também das mudanças climáticas, que afetaram as produções de soja e café em 2021, já estão sendo sentidos pela população em geral, com o aumento da inflação dos alimentos.

Diante deste cenário, se faz necessário ao produtor rural fazer uso de ferramentas digitais e de agricultura de precisão para que seus processos gerenciais se tornem cada vez mais eficientes e de baixo custo.

Mário Bittencourt Mário Bittencourt
Jornalista, especializado no setor do agronegócio e pós-graduado em Agricultura de Precisão.
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